Segunda-feira, 21h58, e eu aqui, sentada, pós-banho, aguardando minha distração chegar.
'Distração', para mim, seria o que Gabriel Garcia Marques chama de sexo: "o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança."
Muitas das minhas 'distrações' não acabam em sexo por assim dizer. Sou mandona, sou chata, e pra sexo, mais ainda, então as 'distrações' fazem o que eu bem entender e tiver afim no momento. Essas distrações são apenas meninos que vêm em casa me fazer companhia, matar minha carência emocional instantânea, quando não tenho mais nada para fazer e preciso tirar um grande amor besta da cabeça. E logo que vão embora, o que acontece?
Sim, ainda estou com um grande amor besta na cabeça. Hoje percebi que era amor (talvez?). Quando ele me ligou e percebi que a página não estava virada porra nenhuma. Quando, não importando quantos sonhos você tenha pra te alertar sobre o cara em questão, é com ele que você quer estar. Mesmo ele estando a 1.978km de ti. A porra da página tá emperrada. E a porra da página tá pedindo que essa historia continue. E minha mão aqui, trêmula, querendo escrever mais dessa história, mas sabendo que não deveria.
E quando com nosso grande amor besta não podemos estar, o que fazemos? Acionamos nossas distrações. Para mim é ou isso ou uma boa dose de Rivotril para dormir mais cedo e deixar os males pra os sonhos decifrarem.
Como, essa noite, a distração veio atrás de mim antes de eu tomar a minha dose de Rivotril, hoje, fico com a distração, Márcio.
Mas é isso. Isso que vou ter hoje nada mais é do que um vício ocupando o lugar de outro... Ao invés de eu dizer não, recusar essa maldita droga, eu aceito (mas gente, se vocês vissem o tanquinho que ele tem no lugar da barriga dele e quantas trouxa de roupa suja dá pra lavar ali, vocês entenderiam porque recusar essa droga é tão difícil). Aceito, sim, tomar, mais uma vez, outro alucinógeno que vai me fazer esquecer. Esquecer que tudo o que eu mais queria era estar a 1.978km daqui. Me dopando de outra droga que também me faria mal. Mas que não posso. Que tenho que engolir em seco e tentar me dopar com distrações até esquecer. Ou até parar de doer. O que vier primeiro.
E quem aqui nunca se dopou com distrações, que atire a primeira pedra....
=o/
segunda-feira, 25 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
UM OLHAR SOBRE O CRESCER
You know when you're young and you drop the glass and your dad says like "Get out of the way" so you can be safe while he cleans it up?
Well, now, no one really cares if I clean it up myself.
Nobody really cares if I get cut with glass.
If I break something, nobody says let me take care of that.
You know?
(Girls - Season 2 - Episode 10 - "Together")
Sabe quando você é criança, e deixa cair um copo, e seu pai diz "Saia daí" para que fique em segurança enquanto ele limpa?
Agora, ninguém mais liga se eu tiver que fazer tudo sozinha.
Ninguém se importa se eu for me cortar. Quando eu quebro algo, não há alguém para me ajudar.
Sabe?
(Girls - 2a Temporada - Episódio 10 - "Together")
Well, now, no one really cares if I clean it up myself.
Nobody really cares if I get cut with glass.
If I break something, nobody says let me take care of that.
You know?
(Girls - Season 2 - Episode 10 - "Together")
Sabe quando você é criança, e deixa cair um copo, e seu pai diz "Saia daí" para que fique em segurança enquanto ele limpa?
Agora, ninguém mais liga se eu tiver que fazer tudo sozinha.
Ninguém se importa se eu for me cortar. Quando eu quebro algo, não há alguém para me ajudar.
Sabe?
(Girls - 2a Temporada - Episódio 10 - "Together")
sábado, 16 de março de 2013
VIRANDO A PÁGINA
Nunca tive problemas em ficar com meninos nas baladas e pronto, foi isso. Às vezes beijar mais de 1, mais de 2 ou mais de 3 e desencanar total. Vibe micareta mesmo.
Mas, a maioria das vezes, sempre fui a apaixonada. A que comia na mão do cara que "estava" comigo.
Sempre fui a que ficou com o cara três ou quatro vezes e já jogava todas as esperanças e sonhos a serem realizados nas mãos desse pobre coitado que não sabia a encrenca na qual estava se metendo.
Péra! Pobre coitado vírgula! Eu sempre escolhi as pessoas mais 'podres' para me relacionar. Analise aqui da maneira que quiser: por medo de me comprometer, por gostar de chegar em casa e não ter ninguém lá além do Abu me esperando, por medo de perder a liberdade, por medo de saber que vai acabar e vou sofrer mais ainda, por não querer dar satisfações da minha vida, por não acreditar em homem nenhum que conheço na vida (tirando o meu irmão), por achar que, além das mentiras, todos traem, etc.... Os motivos pelos quais os caras são 'podres' diferem. Já cheguei a casos absurdos que um só homem tinha todos esses 'problemas' ditos acima.
Mas acredito que o pior, o que o homem pode fazer de mais podre na vida de uma mulher é dar a ela esperança. Ilusão. Alimentar uma coisa que ele sabe que não está e jamais estará interessando em entregar a nós. Isso é sujo. Isso é falta de caráter. Isso é motivo pra eu querer pegar uma vara e lascar no cara do filho da puta até não poder mais.
A questão é: ninguém é perfeito.
Clichê.
Clichezão.
Mas não é pelo perfeito que peço. Não é pelo perfeito que almejo. E acredito que 99% das mulheres (tirando as Panicats da vida), também não procuram isso. Sim, já teve uma época que era justamente o perfeito que procurava (e também esse era um dos motivos pelo qual nunca consegui fixar algo sério com alguém nessa época: pelo fato do perfeito não existir).
Procuramos um cara que nos faça rir, um cara que tenha um abraço bom, um beijo bom, um cheiro bom. Um cara que saiba bater papo, um cara que esteja disposto a estar ao nosso lado no pior dos nossos momentos e nos melhores deles. Queremos a companhia. Mas a ilusão sempre vem junto.
Não digo que a culpa é só deles. Somos nós, mulheres, que colocamos na nossa cabeça que temos que ter um relacionamento sério. Que temos que ser certinhas e que não podemos sair por aí ficando com vários e não se 'acalmar' com um. Mas... por que não?
Estou em uma fase terrível. Tanto profissional quanto pessoal.
Claro, o pessoal tá 200% pior, porque tem muito mais bagagem nisso aí.
Nesse começo de ano, estive em um 'relacionamento' mais 'sério' (e o uso das aspas não são exageradas), com 3 caras diferentes. Me entreguei. Pros 3. Um já era caso mais antigo (o que fez doer mais), o outro demorou quase 1 mês, e o outro demorou 20 exatos dias. Estamos em março e já não tenho mais nenhum.
Chorei, me descabelei, quis me matar, achei que não ia encontrar mais ninguém na vida, achei que eu era a pior mulher do mundo, etc e tal.
Quinta-feira foi um dos dias mais difíceis pra mim. Tive que 'terminar', por falta de culhões, com o último cara, esse dos 20 dias. Ele tinha me escondido que era casado, porém tinha me jurado que estava em processo de divórcio e que em um mês tudo estaria finalizado. A tonta aqui, comprou a idéia. Claro, como não? Quem nunca??? Se ele diz, eu acredito. Ele fazia juras de amor eterno, dizia que era a mim que ele queria, que me adorava, me ligava 7 vezes por dia, falávamos no Skype e no Facebook o dia inteiro (ele não é de São Paulo, então isso dificultava um pouco também. E era um anão de 1m66 - pausa para risadas)...
Só que a enrolação para me falar o andar da carruagem do divórcio me fez ficar com tanta raiva... porque, atos que eram bons, não vinham. Como ele não teve a hombridade de falar que não sabia se esse divórcio ia rolar ou não, porque, sei lá, a mulher dele é dependente (e totalmente louca - me mandou mensagem no facebook e me ligou me acusando de acabar com o casamento cristão deles - sendo que eu entrei na parada meses depois do conflito deles) e triste demais pra viver sozinha, ou porque o relacionamento deles é doente demais e eles precisam um do outro, ou foda-se o motivo, eu tive que ser a adulta e o macho alfa dessa relação ridícula e chegar e falar: 'Então, meu querido, acabou. Não quero que você nunca mais me procure, eu quero que suma da minha vida, eu quero que você e sua mulher se fodam (juntos ou separados).' Esse é o resumo tranquilo do que deixei na caixa postal do cidadão em questão.
2 semana antes disso, quando eu ainda não estava sabendo do casamento do carinha de cima, então, totalmente apaixonada por ele ainda, resolvi que tinha que 'terminar' com o senhor Engenheiro Agrônomo cujo 'relacionamento' se extendia por 5 anos. As palavras foram quase as mesmas. Ele tinha feito umas coisas nenhum pouco legais ou justas com a minha pessoa durante uma visita a São Paulo, e isso meio que fez com que eu puxasse a vara pra dar com tudo em cima dele já, né? Eu estava disposta a esquecê-lo depois disso, mas ele continuou a me procurar 2 semanas depois disso achando que não tinha feito nada de errado e o coração aqui derretou.
Mas fui forte, ignorando as mensagens dele. Porém, chegou uma hora que vi que ia ter que ser direta. As palavras foram quase as mesmas, que ele me esquecesse, que ele queimasse no fogo do inferno pelo mal que me fez, que eu não queria ser amiga dele, nunca quis e não era agora que seria o caso, que ele tinha sido sujo e que ele seguisse com a vida dele.
Hoje, me arrependo. Desse caso. O Diripona foi, na verdade, o único cara de todos que me relacionei que nunca me prometeu nada. Muito pelo contrário: ele sempre disse que não queria namorar, que não queria nada sério demais, que ele não prestava... Eu já sabia que, com ele, todas as ilusões vinham de mim. Ele nunca me prometeu nada. Nem um copo d'agua.
Por isso, liguei ontem pra ele e pedi desculpas pelas coisas que disse. E que sabia que ele era um cara do bem e que só precisava crescer. Fiz as pazes comigo mesma. E virei a página.
Eu acho que é isso que nós, mulheres, temos que aprender com mais prioridade na vida. Sempre deixamos, nós, as fragilizadas, que os homens tomem as rédeas e que eles virem as páginas. Mas, por exmplo, no caso do cara casado... Ele jamais viraria essa página. Ele iria me enrolar e enrolar a mulher dele até quando ele tivesse afim. Porque, para ele, é cômodo. Ele tem duas pro ego dele. Mas eu não quero ser a mulher para um cara de duas mulheres. Então eu tive que ir lá, pegar a página da história que foi escrita com esse cara, e virar. Simples assim.
Doeu? Claaaaaaaro. Me descabelei na quinta (isso aconteceu na quinta). Mas o que que houve logo depois? Quinta mesmo fui em uma balada. Um holandês chegou pra falar comigo (English or español?), e eu, já toda derretida e visualizando a idéia de falar inglês a noite inteira pra fugir do mundo de merda que minha cabeça vivia, aceitei na hora. E ele foi uma graça. Lindo, loiro, alto, de olho verde, fofo, novinho (mas que já era presidente de uma ONG que tinha transferido ele pra Bolívia), que sabia falar (não sabia dançar, como todo estrangeiro), que me tratou bem, me respeitou, não tentou me levar pra casa, só queria ficar comigo.... No dia seguinte, ontem, no caso, marcamos um café no final do dia, ficamos mais um tempo juntos e foi isso.
Ele voltou pra Bolívia hoje.
Mais uma página virada.
Todo homem que atraímos, atraímos por um motivo: seja para nos fazer bem, seja para nos fazer mal. E tem casos que o mal nos faz bem, então continuamos. E aí é que mora o perigo. Para que continuarmos com algo que é ruim para nós? Temos que nos distanciar um pouco e ver que não, isso não é saudável. Temos que terminar, porque isso jamais virá deles.
Temos que virar a página. Porque, se não virarmos, quando iremos estar abertas para o próximo, que, talvez, nos fará bem?
E virando a página, sabe o que também pode acontecer? Uma nova história começar para adicionarmos a nossa biografia. E quanto mais capítulos em uma biografia, melhor. Uma vida melhor vivida.
Que mal há nisso?
quarta-feira, 13 de março de 2013
SILÊNCIO
Quando eu fiz 18 anos de idade, lembro que eu não podia nem acreditar
que estava indo morar em São Paulo, a grande metrópoles do Brasil. Morei minha
vida toda em Piracicaba, uma cidade que, pra mim, era um ovo e que não tinha
nada pra me oferecer. Me sentia presa dentro de mim. Milhões de vontades para
realizar, coisas pra ver, vivenciar, e em Piracicaba eu não tinha isso. Nada
disso.
Em São Paulo eu me sentia completa. Quase. Sempre faltava aquela uma
coisinha... Eu sempre queria mais e não encontrava. Sou ansiosa demais acho.
Quero tudo, a toda hora, a todo momento, sempre. E quero tudo do bom e do
melhor.
Não querendo ir pro lado chato que todo mundo vai quando reclama do
Brasil, mas esse país não funciona como deveria funcionar... As coisas não são
boas, elas simplesmente são o máximo que conseguem ser (encaixe aqui o motivo
que quiser... Eu tenho até preguiça de começar essas discussões).
Queria mais. Queria mais intenso. Queria com valores diferentes.
Mentalidades diferentes. Comportamentos diferentes. Pessoas diferentes. Olhar
ao meu redor e não acreditar que nunca tinha visto aquilo acontecer ainda.
E foi por isso que, com 26 anos de idade, larguei tudo pra trás e fui,
com a cara e a coragem, estudar produção para TV e cinema em Nova York.
Foram os melhores 2 anos da minha vida. Estudei. Trabalhei. Fiz
amizades. Conquistei amores. Mas mais do que isso: eu vivi. Eu vivi o sonho que
eu queria. Ali, no meio da Times Square, com milhões de pessoas congelando de
frio em fevereiro ou morrendo de calor em agosto, saindo dos espetáculos que
lotavam todos teatros da Broadway, ali, naquele meio do inferninho, eu me
sentia tranquila. Eu respirava de olho fechado e sorria. Coisa babaca de filme
mesmo. Nem sei quantas vezes eu fui sozinha a Times Square, só pra ficar comigo
mesma, rodeada de estranhos e de línguas que nem me arriscava adivinhar quais
eram. Eu chegava na estação de metrô ‘Times Square – 42nd Street’, subia as
escadas rolantes, e as luzes de todas as atrações já aqueciam meu coração
(aliás, a Times Square de manhã devia de ser fechada. Não tem graça nenhuma
estar ali se não totalmente tomada pelos milhares de watts das marquises de
teatros, outdoors e letreiros de lojas. Ela perde todo o sentido).
Parava na Starbucks, pedia meu Iced Soy Decaf Latte Light Ice e sentava
ou na escadaria da TKTS ou em uma mesinha qualquer.
Eu assistia, de camarote, o casal se matando pra tirar uma foto, eles
mesmos, dos dois com a torre da Times Square no fundo. Daí a namorada reclamava
que não tinha saído o prédio todo, o namorado, puto, pela 37a vez
tentava com que saísse os 2 e o maldito prédio inteiro. E não conseguia. E lá
ia ela tomar a câmera da mão dele de novo para, como não poderia deixar de ser,
falhar na tentativa também.
Tinha sempre o grupo de 8 ou mais japoneses passeando, tirando foto de
qualquer coisa, desde o logo do McDonalds (que, para mim, não faz sentido
algum, porque aquele M é igual em qualquer país, até o deles com as letrinhas
estranhas), a fotos de pessoas que eles não tinham ideia de quem eram, mas
estavam no telão da loja da American Eagle, até do grupo todo junto com Naked
Cowboy, ‘personagem’ que chegou a status de ponto turístico da cidade.
Daí eu avistava aquele casal de velhinhos, que era tocante demais a simplicidade deles,
agarradinhos, se aquecendo, saindo de algum musical, sem se olharem, sem
conversarem, de mãos dadas e carregando sorrisos nos rostos. Não precisavam
trocar palavras para mostrar que, mesmo estando juntos numa jornada de
provavelmente 50 anos, estavam juntos porque queriam e pela completude que tinham.
Eram sempre esses casais de velhinhos que me faziam cair na real e perceber que toda a minha inquietação, minha falação, minha vontade de fazer tudo o tempo todo, tudo rápido demais, querer viver antes que não dê mais tempo... nada disso de nada vale...
São essas poucas coisas, esses toques, esses programas
‘fora de casa’, esse ‘ver gente’, essas vivências e convivências, essa
observação do mundo ao redor... São essas poucas coisas que importam. Palavras só enchem
linguiça, a maioria das vezes.
O silêncio é subestimado.
Assinar:
Postagens (Atom)