quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O PRIMEIRO

Voltemos ao Daniel.

Depois da noite de Natal, acho que não existiu um dia que a gente tenha passado sem se conversar até o dia do nosso encontro. Eu lembro que teve um dia que ele saiu do trabalho e a gente começou a conversar às 16h e só saímos do MSN às 4h da manhã! Sim, exatamente 12 horas seguidas de MSN! Nem eu sei o que tanto a gente tinha pra conversar.
Fora as conversas no MSN, tinham as conversas no Orkut, que muitas vezes ocorriam paralelamente às do MSN. Sim, como se não bastasse achar assunto no MSN, a gente arranjava assunto para conversa paralela no Orkut.

Deixe-me descrever um pouco Daniel: ele fazia engenharia de produção ou na UFRJ ou na UERJ (eu sempre confundo as duas). Ou era UFF? Ah, não sei, era alguma dessas faculdades públicas do Rio de Janeiro. Ele é uma pessoa extremamente inteligente, e de uma inteligência nada prepotente e uma inteligência que não precisa ser mostrada, você percebe com a conversa que vai levando. O humor dele é sensacional. Exatamente igual ao meu, tem uma pitada de ironia e sarcasmo o suficiente pra deixar tudo mais interessante. Ele assiste os mesmos seriados que eu. Ele assiste os mesmos filmes que eu. Ele entende de coisas que não são necessariamente da área de engenharia, que é a dele. Assim como eu entendo de coisas que não são necessariamente da minha área. Ele sabe usar as palavras certas pra deixar uma menina mais apaixonada do que ela possivelmente já pode estar. Ele tem um carisma absurdo. Ele tem uma voz linda. Ele tem uma mão linda (sim, eu tenho uma coisa com mãos de homem). Ele é moreno, moreno de cabelo e moreno de bronzeado. Ele tem o corpo certinho (não era magro, não era gordo, não era bombado). Ele tem a pegada perfeita. E pra melhorar tudo, a cerejinha do bolo é ele ter 1m92.

Depois de poucos dias tendo contato só virtual, ele me passou o telefone dele. E a gente começou além das conversas pelo MSN e Orkut, a se falar e mandar mensagem de texto pelo celular.

Eu já tava completamente na dele depois de o que? Uma semana? E foi nessa semana seguinte ao nosso primeiro bate-papo que ele me solta a bomba: ele estava indo passar 1 mês nos Estados Unidos na casa de um amigo dele.
Por que bomba? Porque eu já estava decidida, assim que passasse o Ano Novo, a ir o quanto antes conhecê-lo no Rio.

Depois que a ficha caiu que ele iria passar um mês fora e que eu teria que esperar mais um mês para conhecê-lo, a gente combinou então que eu iria visitá-lo no fim da semana que ele chegasse, dia 9 de fevereiro de 2006. Ok, combinado? Combinado.
No dia do vôo dele pra Atlanta, ele ainda me ligou lá do aeroporto do Rio pra fala tchau. Todo bonitinho! Lembro que eu estava no McDonalds com a Flora indo jantar. Ele prometeu que me escreveria assim que chegasse lá. E assim o fez.

Nesse um mês que a gente ficou em continentes separados, não paramos de nos conversar: era MSN, era e-mail, era Orkut, era o jeito que dava. Aos poucos eu fui vendo que ele me conhecia demais pra quem me conhecia há menos de um mês. Ele me mandava scraps às vezes com coisinhas que só algumas pessoas sabiam sobre mim e coisinhas que eu só tinha contado pra ele, como: minha palavra preferida em inglês é nonetheless, ele pedia pra eu tomar cuidado na academia porque sabia que meu joelho é podre, comentava sobre o fato deu comer pão e tomar café a toda hora, ele sabia do meu TOC com o volume da televisão (sempre tem que estar em um número par), ele sabia que eu tinha TOC com os números dos meus scraps, que eles não podiam terminar no número 7, então ele ia lá e manda um scrap qualquer só pra poder ficar com final 8. Ele foi na Starbucks e tirou uma foto lá pra poder mandar pra mim porque sabia que eu amo Starbucks. Um dia ele me mandou um e-mail dizendo que estava planejando uma surpresa pra mim, que acabou sendo ele ter comprado um desses cartões pra ligação internacional e me surpreendeu me ligando de lá e ficando comigo mais de 1 hora no telefone... Ele fazia coisas fofas que ajudaram mais e mais a me apaixonar por ele. Eu estava cada vez mais convencida de que ele era o certo pra mim.

Tanto achava que ele era o certo pra mim que resolvi que ele seria meu primeiro. Sim. Eu, com 23 anos de idade na cara, era virgem. Não tenho vergonha nenhuma disso. Nunca tive namorado na minha vida, e na verdade, fico feliz que tenha esperado tanto tempo assim, porque daí já que tinha passado tanto tempo, eu nunca cogitei dar pro primeiro que eu achasse que podia merecer, pensei bem melhor sobre o assunto. Mas Daniel eu estava bem certa que seria o meu primeiro.

O bendito dia que eu iria viajar pro Rio pra conhecê-lo tinha finalmente chegado. Depois de UM MÊS E DEZESSEIS DIAS, o tal dia 9 de fevereiro de 2006 estava ali. Eu ia finalmente encontrar o menino que, pra mim, ia ser o meu marido e pai dos meus filhos. Lá fui eu de malinha pro aeroporto pegar o avião pro Galeão. Meu vôo estava marcado para as 9 da manhã e Daniel iria me buscar no aeroporto.

JURO, nunca na vida eu fiquei tão ansiosa por um momento quanto esse. O vôo São Paulo-Rio de Janeiro parecia mais São Paulo-Nova York pela demora que pareceu pra mim. Quando desci do avião no Galeão, meu coração tava na boca já e quando eu entrei na sala pra retirar a bagagem e vi, nos 2 segundos em que portinhas que davam pra saída se abriram e fecharam, Daniel me esperando do outro lado, meu coração pulou da boca. Peguei minha malinha e meu coração ali na esteira de bagagem e fui-me em direção ao moço mais alto da área de desembarque. Quando eu ainda estava na porta, nossos olhos já se encontraram e nossos sorrisos já apareceram. Quando a gente finalmente chegou perto um do outro, eu tava muda. Tinha acabado de colocar meu coração de volta no lugar. Mas ele disse: "Cortaram meu barato. Faz 5 minutos que vi um outro casal se beijando estilo cena de filme. Queria que a gente tivesse sido o primeiro. Tudo bem, a gente pode ser o segundo." E então ele me beijou.

No post anterior eu comentei sobre o meu segundo momento "Filme de Hollywood". Esse foi o primeiro. Meu beijo com Daniel em um aeroporto lotado depois de uma espera que pareceu eterna. E com certeza esse momento foi bem mais memorável do que o segundo. Esse momento filme hollywoodiano fez o meu segundo momento parecer filme de estudante. Além de ter sido o meu primeiro momento hollywoodiano, ele foi também o meu primeiro beijo apaixonado. E como é bom!

E foi exatamente por esse beijo e por todo o sentimento bom que veio com ele (incluindo eu voltar a sentir o coração na garganta durante o beijo), que naquele exato momento eu respirei fundo, aliviada, pois tinha a mais absoluta certeza de ter feito a escolha certa ao fazer dele o meu primeiro primeiro.




To Be Continued...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

JOGO

Outro dia estava conversando com um cara aqui em Nova York, americano, que estava tentando me explicar como é a relação de amizade entre homem e mulher. Ele perguntou se eu acreditava que existia amizade entre homem e mulher e eu disse que sim, claro. Perguntou se eu tinha amigos de verdade homens e eu disse que sim, lógico, alguns. E ele virou e me disse:

Ele: "E você realmente acha que eles são só seus amigos? Porque vou te contar uma coisa que pode acabar com a visão que você tem dessas relações, mas, esses seus amigos, eu tenho certeza que você é muito legal e divertida e tudo mais, mas eles só são seus amigos até hoje porque eles estão, na verdade, esperando na fila."
Eu: "Como assim esperando na fila? Que fila?"
Ele: "Na fila pra ter alguma coisa com você. Eles estão esperando pelo momento em que você vai estar ou fragilizada com algum outro homem ou então bêbada ou algo do tipo, quando você vai virar pra eles e perceber que eles são o homem da sua vida, que ele sempre esteve ali pra você e tals, essas baboseiras de filme e que mulher costuma pensar mesmo."
Eu: "Shut up!"
Ele: "Eu tô falando super sério. Eles estão esperando o momento em que você vai virar pra eles e dizer 'Eu acho que a gente devia tentar algo mais'."

Na hora eu fiquei putíssima! Como assim ele ousa dizer que minhas amizades não são completamente verdadeiras? Como assim meus amigos agem de uma maneira, mas têm outras intensões em mentes? Ele acha que conhece meus amigos? E eu não sou legal o suficiente pra manter uma amizade só baseada nisso? Que absurdo!
Mas daí eu parei pra pensar. E vi que eu estava sendo um pouco cínica. Não estou dizendo que os meus amigos são iguais a mim, muito pelo contrário, eu sei que meus amigos são meus amigos porque eu sou legal, tá? Mas eu vou contar uma historinha onde eu sou a amiga "na fila". E quando eu lembrei dessa história eu até me senti mal, porque eu era exatamente a pessoa que o cara lá do começo da história estava descrevendo.

A história começa logo no primeiro dia de aula na Faculdade Cásper Líbero, em 2003. Eu, Fernanda Carolina, logo reparei num menino alto e magrelo. Não era bonito. Não era feio. Não chamava a atenção de ninguém porque ele era com certeza uma das pessoas mais normais daquela sala de aula. Caio era seu nome.
Caio era aquela pessoa que toda sala de aula tem pelo menos uma: aquele ser que fica quieto na dele, entra mudo, sai calado, senta atrás ou na frente da sala (nesse caso, ele sentava atrás), muito pouca conversa, somente o necessário, nunca faz pergunta ou responde a alguma do professor. Alguns só lembram da existência desse ser na hora da chamada, quando o professor grita seu nome. Eles nunca vão participar da festa da formatura no final dos 4 anos da faculdade, então provavelmente essas pessoas acabam sendo esquecidas pela grande maioria depois da colação de grau, que, com certeza, esse ser não gostaria de participar, mas como ele vai ser obrigado...
Pelo amor de Deus, não me entendam mal. Ele não era anti-social, ele não era insuportável, ele não era sociopata (bom, pelo menos não parecia)... Ele só era... na dele? É, acho que a gente pode dizer isso. E como eu notei a presença desse ali na sala de aula? Eu também não sei. Nem Deus sabe. Mas a presença foi notada e eu fiz dele meu objetivo de amizade ali dentro.
Na faculdade eu tinha alguns grupinhos, cada trabalho em grupo era um stress, a gente ia descobrindo aos poucos com quem era bom fazer trabalho, com quem era mais briga que trabalho, ah, vocês sabem, adaptações que todo mundo passa na época de faculdade. Aos poucos, com a desculpa de trabalhos e tudo mais, eu ia me aproximando mais do cidadão em pauta. Ele era tímido, mas ele era legalzinho. E ele fazia os trabalhos sem reclamar e de uma maneira aceitável, então quanto mais oportunidades eu tinha de chamá-lo pra enturmar, eu chamava. Isso tudo no primeiro ano.
O segundo ano começou e eu não sei como, foi descoberto que Caio tinha habilidades em edição. Aaaahhhhh, meu bem, você não sabe o quanto eu usei isso ao meu favor. Falava pra galera dos meus grupos que a gente tinha que chamá-lo, porque ele era mega bom em editar e ninguém sabia editar e eu é que não ia perder meu tempo em editar. Como ninguém mais queria ter dor de cabeça com isso mesmo, eu sempre conseguia acoplar meu querido amiguinho nos trabalhos, principalmente nos de vídeo que precisavam de edição.
No final do segundo ano, eu já era amiguinha dele, até convidei ele pro meu aniversário e ele foi! Olha só essa amizade sem fim!
O terceiro ano começou, 2005. Eu passei por muuuuuitas mudanças nesse ano. Interior, exterior, tudo. A única coisa que não tinha mudado muito era meu interesse no tal mocinho. E o problema é que ele era uma pessoa que namorava. Direto. Tipo, no primeiro ano ele namorava uma e no segundo ano, ele já tava com outra. Essa primeira eu não cheguei a ter contato, agora essa segunda, senhor! Como ela me odiava! A ponto de fazer quase barraquinho na faculdade um dia. Ridícula. Quer dizer, mais ou menos, ela sabia que eu tava mega afim do namoradinho dela, isso até a tia da cantina sabia, mas sabe? Confiança, por favor? Eu tinha confiança. Não em mim, mas de que um dia esse namoro ia terminar e eu ia ser a amiga "primeira da fila", que ia estar ali do lado dele quando tudo desse errado com essa menina. E durante esse ano a gente passou MUITO tempo juntos. Ele vivia em casa depois das aulas, a gente assistia Lost juntos, ele ficava editando vídeo no meu computador e eu ficava ali só babando ovo, a gente comia Yakissoba do tiozinho da rua juntos... A nossa amizade tinha crescido o suficiente pra quando ele terminasse o relacionamento da vez, ele olhasse pra mim e percebesse que EU era a mulher certa pra ele. Meu plano ia dar muito certo. Então eu estava só esperando na coxia.
Mas uma coisa aconteceu em 2005 que meio que mudou os acontecimentos em 2006. Daniel. Lembrando que Daniel só apareceu no Natal de 2005, e fevereiro foi o mês que deu-se o nosso encontro, quando as aulas começaram depois do Carnaval, eu era outra pessoa, completamente confusa e apaixonada por Daniel. Mentira, não tava confusa e apaixonada por Daniel. Eu tava doente. Essa doença só veio a pior quando as coisas que eu esperava que fossem acontecer com Daniel foram por água abaixo.
2006 foi um ano que muita coisa aconteceu. Muita. Se eu for parar pra enumerar os acontecimentos desse ano, acho que tudo o que fiz depois que 2006 acabou não chega nem aos pés de tudo que aconteceu em 2006: Daniel, último ano da faculdade, Carnaval em Diamantina, formação do grupo de TCC (que tinha sido escolhido no ano anterior, então eu tava no grupo com Renato e claro, Caio), mudança de apartamento e colegas de apê, primeira vinda a NYC, decisão de fazer um curso aqui em NYC no ano seguinte... E depois que as coisas deram erradas com Daniel, eu me joguei num mundo completamente promíscuo (isso fica pra outro post, talvez) e quando percebi que estava me machucando mais do que me ajudando, comecei a fazer análise. Isso são só algumas coisas que aconteceram em 2006.
Dentro de mim, muita coisa tava acontecendo em muito pouco tempo, e durante tudo isso, o Caio tava sempre ali, mesmo porque a gente tava fazendo TCC junto, então tinha pesquisa, tinha pré-produção, tinha gravação, tinha começo de edição, tinha muita coisa acontecendo. Ele tinha começado a trabalhar, mas depois do trabalho era quase sagrado ele passar em casa toda noite e ficar lá até quando desse pra gente resolver essas coisas da faculdade. Esqueci de comentar que ele tinha terminado o namoro em algum momento antes do final do primeiro semestre.
No final do TCC, ou seja, no final do ano, faltava muito pouco pra edição do nosso piloto ficar pronto e a gente tinha pouco tempo. Ficou resolvido uma noite que a gente ia dormir, eu ia acordar no meio da noite, pesquisar umas imagens enquanto ele dormia e depois das imagens pesquisadas e salvas, ele acordaria e adicionaria elas na edição e eu voltava a dormir. Tá. Lá fomos nós dormir. Cada um no seu colchão no chão. Boa noite, Caio. Boa noite, Fernanda.
Quando a luz tinha apagado fazia muito pouco tempo, eu senti a mão dele pegar a minha. Tá. Até aí beleza, a gente vivia de mão dada, eu abraçava e beijava ele toda hora, eu era como eu sou com todo mundo, então dormir de mão dada não era um conceito muito estranho. Um pouco, mas não muito. Tá. Só que daí ele começou a acariciar a minha mão com o dedo dele. Aí já ficou estranho e diferente. E meu coração eu já sentia na garganta. Eu esperava que aquilo fosse terminar no que eu estava esperando há 4 anos, mas não era possível, era tudo bobagem, se pá ele já tava dormindo e tava sonhando com algo, então ele nem tava sabendo o que ele tava fazendo. Mas depois de muito tempo ele subiu esse carinho pro meu antebraço. Agora, no antebraço ele ficou muito pouco tempo, porque ele logo me puxou pelo braço pra deitar ao lado dele.
Péra.
Agora não era possível que ele estivesse dormindo! Eu puxei de volta, eu que não ia deitar no colchão dele! Ele que viesse deitar no meu, se ele estivesse querendo o que eu estava rezando pra que ele estivesse querendo. E ele veio. Quando ele veio, ele deitou do meu lado, os dois olhando pro teto. Ele disse: "Eu estraguei tudo". Eu: "Estragou o que?". "A nossa amizade. Eu não devia ter feito isso". "Feito o que? Você não fez nada". "Agora vai mudar tudo". "Por que? A gente não fez nada!". "Não tem como fingir que nada aconteceu". "Mas nada aconteceu, Caio! A gente tava de mão dada como já fizemos mil vezes. Então nada vai mudar". E daí a gente ficou parado por um tempo. Ele virou e me deu um abraço. "Caio, não se preocupa, nada vai mudar porque a gente não fez nada". Nisso ele quebrou o abraço. E no que ele quebrou o abraço, ele me beijou.
JURO! Eu tive 2 momentos Hollywoodianos na minha vida: o meu primeiro encontro com Daniel (que ainda está para ser contado) e esse momento aqui. A gente tava se beijando, mas ao mesmo tempo eu tava gritando de felicidade na minha cabeça. Eu não podia acreditar que o meu plano, depois de 4 anos, tinha dado certo! E ainda tinha saído melhor que o esperado! Não fui eu que tentei nada com ele! Ele que veio pra cima!
Depois de alguns vários minutos se beijando, a gente se separou. Ele encostou a cabeça no meu ombro e lançou "Tá vendo? Eu estraguei tudo". "Você não estragou nada. A gente fez o que a gente queria. Se você quiser a gente faz de conta que nada aconteceu". "Eu não queria que as coisas mudassem". "Caio, então vamos fingir que nada aconteceu. Volta a dormir e amanhã a gente conversa". Ele voltou pro seu colchão e eu fiquei quietinha no meu. Depois a gente voltou a falar algumas coisas bobas por mais alguns minutos (ele insistia demais nessa história de que não queria que as coisas mudassem e que ele tinha estragado tudo) e depois de um tempinho ele voltou a me puxar, só que dessa vez eu fui pro colchão dele. A gente só ficou abraçado de conchinha por um tempo. Ele devia de tá pensando no que ele devia fazer. Acho que ele chegou a conclusão de que já tinha estragado tudo mesmo, então foda-se, me virou de frente pra ele e me beijou de novo. Dessa vez com muito mais intensidade. Apertou o botão do foda-se bonito dessa vez.
Tá. Nada aconteceu depois desse beijo, cada um voltou pro seu colchão e ele finalmente dormiu. Quando eu percebi que ele tinha dormido, eu fui correndo pra sala e peguei meu celular pra mandar mensagem pra Flávia e pra Taís, que moravam comigo, pra contar o que tinha acontecido, porque eu precisava contar pra alguém e elas acompanharam a história de perto. Juro, eu parecia uma menina tonta quando a Flávia me ligou preu explicar direito o que tinha acontecido. Eu era a pessoa mais feliz do mundo!
A gente ficou mais algumas vezes. E ele entrou pra lista de meninos que tenho no meu iPhone. Mas é lógico que tudo tinha mudado. E tudo piorou quando ele disse que ele ia voltar pra ex dele. Eu já tinha melhorado um pouco nessa época, não estava mais tão doente quanto na época do Daniel, mas mesmo assim demorou um tempo preu perdoar o que tinha acontecido. Pra mim ele não tava dando chance da gente tentar ter algo. Ele preferia voltar pra ex dele porque pra ele era mais fácil.
Aos poucos eu fui percebendo que na verdade a decisão dele não tinha muito a ver comigo. Por mais que a gente fosse muito amigo, a gente nunca ia dar certo dessa maneira. Não sei exatamente porque eu acho que a gente não daria certo, mas é uma coisa que você sente, não explica. Ele tentou explicar, chegou a dizer que "a gente é de mundos diferentes" (sim, ele lançou essa frase exatamente como está escrita. Tá vendo? Até ele quis ter seu momento Hollywoodiano), e eu acho que essa frase não é de toda errada pra explicar um dos porques. Mas não era só por isso, claro.
Agora eu tenho que admitir que esse foi um dos "relacionamentos" que eu mais gostei de ter. Mesmo eu não tendo ficado com ele por muito tempo, mas acho que esse nem era o objetivo. Por mais que na época eu tenha ficado triste porque ele escolheu a ex a mim, na verdade, analisando bem agora, eu acho que eu não fiquei triste por isso. Fiquei triste pelo fim do jogo. Pra mim, o que eu gostava nisso tudo era o jogo de sedução. Tanto do meu lado quanto do dele. Pra mim, a gente sempre esteve jogando, cada um com suas armas, tentando enfraquecer o outro e ver quem resistia primeiro. Mesmo quando a gente já tinha se beijado, toda vez que a gente se via, a gente tentava ver quem enfraquecia primeiro e ia pra cima. E isso era tão gostoso. Era tão diferente de qualquer outra coisa que eu tive. Aquele friozinho na barriga era constante toda vez que a gente se via. E era isso que eu valorizava no que a gente tinha.

Foi bom enquanto durou. Muito bom enquanto durou. Que saudades gostosa dessa época!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CONSELHO DE AMIGA

Na minha última viagem ao Brasil, mais especificamente no último fim de semana, eu saí pra jantar com a Karina e a Mey. Um dos assuntos foi a pouca sorte que Karina e eu temos em nossos relacionamentos. Mey tem um relacionamento com um homem mais velho faz um tempo já. E eles são ótimos juntos. De dar uma invejinha boa às vezes.
Um dos conselhos que Mey deu pra mim e Karina nesse jantar foi de procurarmos alguém mais velho, porque homem da nossa idade na verdade não é da nossa idade, é um adolescente besta. E na verdade um dos nossos maiores problemas, meu e da Karina, em não tentar nos relacionarmos com alguém mais velho é que não sabemos onde encontrar essas pessoas mais velhas. Nosso mundo é muito fechado em pessoas da faculdade e da escola e disso e daquilo, e nenhum desses mundinhos consiste em pessoas mais velhas. Na verdade a gente não sabe nem onde encontrar.
Chegando aqui em NYC eu recorri a minha velha ferramenta de busca, a internet, e tive sorte em achar uma pessoa mais velha (não tão mais velha assim, ele tem 31 anos. Eu tenho 27, gente, diferença de 4 anos não são tão grandes assim) que, conversando online, parecia ser legal e não custava nada conhecer.
Sábado a gente marcou de se encontrar. Jantar.

Primeiro: jantar já é uma coisa de pessoas mais velhas. Os outros menininhos que eu tive dates aqui nos EUA (ainda tenho que me acostumar com essa história de dates, by the way) eles marcavam ou em bar, ou em cinema, ou em coffee shops.

Segundo: ele puxou a cadeira pra mim quando eu fui me sentar à mesa. O que que é isso?

Terceiro: ele pagou a conta toda. O que que é isso????

Quarto: na hora de sair, ele deu uma corridinha pra abrir a porta do restaurante pra mim. O que que é isso????????

Quinto: na hora que o táxi parou e a gente estava se despedindo, a gente deu um beijo mega inocente. Ele nem tentou por a mão em mim. O que que é isso???????????????

Sexto: ele me mandou uma mensagem no celular um pouco depois falando que tinha adorado o encontro. O que que é isso????????????????????

Sétimo: ele já quis marcar um encontro pra daí 2 dias, sem ao menos a gente ter se beijado direito. O que que é isso, genteeeeee??????????

Sim, a gente saiu de novo depois de 2 dias, ou seja, hoje de noite. Ele me ligou ontem, domingo, Valentine's Day by the way, pra marcarmos onde e quando. Outro jantar. Mesmo esquema do primeiro date, os 7 acontecimentos se repetiram. Com a pequena diferença de que o beijo na porta do táxi dessa noite foi debaixo de neve. E o próximo date pra daqui 2 dias é pra ser no cinema. Minha sugestão.
Como as coisas estão acontecendo mais rápido do que eu estou acostumada e com um modus operandi que eu desconheço, eu ainda estou tentando pensar sobre isso. Eu não sei ainda se esse tipo de relacionamento é um tipo que não me agrada ou se é apenas um tipo que desconheço e é uma questão de se acostumar.
Me conhecendo bem, eu imagino que a segunda opção seja a mais perto da verdade. Eu não estou acostumada com homens nem mais velhos, nem que puxam a cadeira pra eu sentar ou abram a porta pra mim, nem que estejam interessados em sentar comigo por horas só pra conversarmos sem que isso leve a nada por enquanto, que estejam com vontade de estar comigo e já quererem marcar o nosso próximo encontro sem ao menos o último ter terminado.
Dessa vez eu não estou precisando correr atrás. Não tô me sentindo uma slut. E isso é bom.



Valeu, Mey, pelo conselho. :o)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

NOVALGINA

Fui pro Brasil passar o fim de ano com a família, já que essa se recusou a voltar a passar as festas de fim de ano aqui (mais especificamente a minha irmã, que aparentemente congela o sangue já frio dela em temperatura abaixo de 18o. Ridícula).
Nessa minha última volta, eu estava obcecada por um carinha aí (eu sei que tem gente que tá pensando: "Ah, porque na sua outra visita no meio do ano você não tava obcecada por ele não, né?" A todos vocês, silêncio! Vocês estão certos, mas não precisa espalhar!). O problema é que dessa vez estava bem mais forte. Estava mais forte o que quer que eu estivesse sentindo porque a gente se falava muito. Era muito contato! Contato até demais! Era Skype toda semana, GoogleTalk todo santo dia. Como que a garota carente aqui aguenta?
Quando cheguei no Brasil, ele era a primeira pessoa que eu queria ver. Todo o resto podia esperar, porque eu só estaria feliz e satisfeita depois de ter visto ele. E assim foi. Cheguei na quarta, sexta a gente se viu. Eu preciso falar que meu coração deu uns pulinhos fortes quando eu vi ele? Então tá, não vou falar.
Daí a gente ficou junto a noite toda, fomos no shopping, jantamos num restaurante japonês, e tals, depois tomamos café da manhã e eu deixei ele em casa. Durante o caminho pra casa, meu sorriso tava no meu rosto o tempo todo, só que ao mesmo tempo eu não sabia se era pelo que tinha acabado de acontecer, ou se é porque tinha acabado de acontecer com ele. Sabe? Sabe quando você não tem certeza se você tá feliz pela atividade física ou porque estava com aquela pessoa? Eu realmente tava confusa.
O que acontece é o seguinte: esse cara é a pessoa mais errada pra mim. Ele não tem absolutamente nada a ver comigo. Naaaada. Ele não entende das coisas que eu entendo, eu não entendo das coisas que ele entende. Ele não vale um tostão furado e ele já me disse na minha cara que todas as namoradas que ele teve, ele traiu. Aliás, ele disse que quando a gente ficou a primeira vez, ele estava namorando. Ou seja, a pessoa mais errada no mundo pruma menina que tá procurando alguma coisa séria com alguém. Agora me diz... Por que a gente sempre acha que seremos nós quem iremos mudar uma pessoa como essa? Olha que eu não tenho confiança nenhuma em mim, eu não me acho boa em nada, então por que eu acho, eu, a pessoa mais normal do mundo, acho que vou conseguir mudar uma pessoa dessa e transformá-la em algo bom?
Minha amiga Karina (eu tive que inventar um Alias pra ela porque ela diz que é perigoso colocar o nome real das pessoas em Blogs, então... Eu sou muito criativa, e aí está seu Alias, Karina! hahahah) disse que não acredita que as pessoas mudam. Não desse jeito. Eu não sei se concordo com ela. Não tô dizendo que eu vou mudar esse menino ou que alguém vai mudar esse menino em especial, mas eu acredito que pessoas mudam sim. Não sei se mudam 180 graus, mas tem como as pessoas melhorarem e muito!
E eu acho que é mais isso que eu queria fazer com esse menininho, sabe? Eu só queria melhorá-lo. Só queria deixar ele valendo pelo menos uns 2 tostões, assim eu poderia ficar com ele por mais um tempinho. Porque eu gosto dele. Eu gosto do jeito que a gente é junto. A gente é bom juntos. Só que eu tive que "terminar" com ele porque eu cansei de investir em um menino que não me dá nada a não ser mais dor. Se eu continuasse com isso, me conhecendo, eu ia me apaixonar forte e ia me machucar forte mais uma vez. E eu cansei disso.
Demorou 27 anos, mas eu começo a perceber que eu sou um partidão! E eu posso estar errada, mas eu acho que não, então não vou ficar me descabelando por alguém que não acha que eu valha algo. Pode demorar mais 27 anos pra eu achar alguém que me dê valor, mas vou continuar procurando (Por favor, meu Deus, que não demore mais 27 anos?).

Tá vendo, Karina? Algumas pessoas melhoram sim! Olha eu aqui! \o/

NEVE

Faz um 1 ano e 9 meses que eu tô morando aqui em NYC. Já passei calor e já passei MUITO frio, mas hoje é a primeira vez que vejo o mundo caindo em formato de neve pela minha janela.
Tenho dó das pessoas que têm que ir trabalhar nisso hoje (meu roommate Gustavo, por exemplo, daqui meia hora tem que levantar pra ir pro set). Mas me desculpem eles, eu sei que vai ser horrível de sair nisso, mas que é bonito demais de se ver, ah, isso é! Podia ser assim todo dia! Quase não tem pessoas na rua (Tudo bem que ainda sao 7h40 da manhã, mas...) e fica tudo branquiiiinho, tão bonito de se ver!
Eu sei que isso foge do tema do Blog, mas é que tá tão lindo isso aqui! Prometo que amanhã volto ao tema principal! Já até aconteceu algo agora pra me ajudar na próxima pauta.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

AQUELE QUE QUERO PRA SEMPRE

Hoje eu tava no MSN com o Antonio.
Antonio é um amigo meu que eu conheci quando eu fui pra Disney, com meus 15 anos. Sabe aquele menino bom que nem precisa conversar com você, mas você sabe que ele é uma pessoa do bem? Esse é o Antonio.
Eu sei que eu disse no post anterior que a minha vida mudou de vez com o Daniel, mas o Antonio foi o primeiro menino que me fez feliz na vida. E olha que a gente nunca ficou ou nada nem parecido. Ele nunca me viu desse jeito. Mas mesmo assim, foi o primeiro homem a me fazer feliz.
Eu me lembro até hoje do dia que eu conheci ele. A nossa viagem pra Disney foi em junho de 1998, mas em maio a gente teve uma reunião com todo mundo que ia viajar pra começarmos a nos conhecer e tals (viagem de adolescente com esse esquema "caravana Silvio Santos" é sensacional, né? Que saudades disso e da época que eu conseguia andar 14 horas dentro dum parque de diversão e não ficar com dor nas costas e nos joelhos). Bom, desse encontro eu não me lembro de quase nada, mas eu me lembro muito bem do Antonio. Gente, eu bati o olho nele e foi aquele amorzinho de adolescente a primeira vista. Achei ele todo lindo! E que me perdoe o Antonio, mas naquela época ele não era nem metade do homem que ele é hoje: todo magrinho, com um cabelinho tijela todo bunitinho com a franja que vivia no olho dele que às vezes ele até andava de cabeça torta pra franja não ficar no olho, completamente tímido. Eu não sei qualé que é a minha fixação com homem tímido, mas eu adoro! Dá vontade de dar um abraço e falar que tá tudo bem, sabe? O Antonio, logo ali no primeiro momento, eu sabia que era alguém que eu queria comigo pra sempre.
Então nossa viagem veio. Eu não era como a maioria das meninas que eu conheço: o ponto alto da minha vida não foi na minha adolescência. Eu comecei a me tornar menos feinha depois dos meus 20 anos. Então nessa época eu era toda patinho feio duma turma de meninas que eram lindas mesmo, tinham seus peguetes na turma da excursão e tals. E eu era a excluída, porque sempre tem que ter uma, né? Eu era completamente tímida por isso e o Antônio também (por motivos diferentes dos meus, obviamente), então comunicação entre nós dois era uma coisa quase inexistente. Ainda mais porque ele andava com os meninos que mais me zoavam, ainda mais porque tava escrito na minha teste em vermelho que eu era afim dele, então ficava complicado. Mas eu toda apaixonadinha me lembro que tentava me aproximar como dava. Lembro que ajudei ele a pedir um sorvete porque ele não tava conseguindo e ninguém mais tava na fila pra ajudar. Saí da fila com um sorrisão no rosto.
E eu lembro que mesmo com todos os amigos dele me zoando, o Antonio nunca me destratou. Pelo menos não na minha cara.
A excursão acabou, foi cada um pro seu lado, e eu voltei pra casa com a minha recordação da viagem: a bendita fita VHS com os momentos da turma. Juro, eu perdi noção de quantas vezes aquela fita foi vista por mim, ainda mais as partes que tinham o tal Antonio. Eu decorei todas as falas dele, era ridículo! E eu achava que tinha sido isso. Nunca mais ia ver o Antonio na minha vida porque nem da mesma cidade a gente era. Só que têm coisas que nos fazem tão bem e que a gente quer tanto na nossa vida, que não tem jeito de fugir, e o Antonio está na minha há 12 anos já!
A nossa amizade começou de verdade quando a gente voltou da Disney e o mIRC era a sensação do momento. Eu fui descobrir o nickname dele e a sala que ele entrava e quase toda noite a gente conversava. Daí a amizade foi ficando mais forte, eu ia de vez em quando na casa dele porque tinha amigas na cidade dele que eram amigas dele também. Daí a gente começou a conversar por telefone, e a gente falava por um tempão! Tinha uma época no colegial que a gente ficou muito amigo, falava bobagem a todo momento, mandava arquivo do Homem-Cueca pra ouvir e depois discutir, ele me levava pra tomar açaí, coisa que eu odeio, a gente ia andar de carro porque ele era o único que com 16 anos já tinha carro e tals... Eu nem sei o que tanto a gente fazia, mas tinha épocas que eu ficava um tempão na casa dele. Daí a gente ficou mais velho, fomos morar na capital, ele me dava carona pra lá no seu Golf todo boy...
Daí as nossas vidas começaram a se separar mais por vários motivos e a gente começou a se falar cada vez menos, mas que não mudou em nada a imagem que eu tenho dele: um menino incrível, de um caráter extraordinário, honesto, amigo, que por fora parece ser todo casca grossa, mas que na verdade é um bobo, crianção, que sempre quis me fazer rir (minha mãe agradece ele todo dia por um episódio em que eu estava no auge da depressão, quando o Antonio me ligou. E minha mãe disse que agradece até hoje porque ele tinha sido o único, que depois de muito tempo, tinha me feito voltar a dar risada), e que sabe o que me deixa brava e por isso às vezes até desconversa quando eu jogo o assunto no ar, porque eu sei que ele não gosta de confusão.
Eu não sei até hoje se o que eu sentia pelo Antonio era amor ou não. Eu nunca tive a oportunidade de por isso a prova. Às vezes na minha cabeça não muito madura eu achava que a amizade que a gente tinha e o quanto eu gostava dele era amor. Às vezes não era e agora não tem como eu saber. Meus sentimentos muitas vezes não são nada fáceis de se entender. Mas também não importa! O que eu sei é que ele me fazia tão bem quando a gente tava junto e que ele me faz tão bem hoje quando ele me chama pra conversar que não importa o rótulo disso. É aquela coisa boa que você sente e que faz brotar um sorriso no rosto.
O que a gente tem é leve e sem compromisso, sem drama, sem exigência alguma. E é tão bom. E é uma das melhores relações que eu tenho com homens.
Por que não pode ser assim com todos os outros homens da minha vida?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

QUANDO A SUA VIDA MUDOU?

Todo mundo tem fatos extremamente importantes em sua vida. Fatos que marcaram por terem sido ótimos, ou péssimos, ou engraçadíssimos, ou que quase tiraram sua vida. Pode ter sido uma festa, um encontro a dois, um acidente de carro, uma mudança de cidade, entrar pra faculdade... X motivos. Cada um com o seu. E a maioria das pessoas que eu conheco tem vários momentos que fizeram a vida mudar, pra melhor ou pra pior. Eu já não. Eu tenho um só. Bom, pelo menos até agora. Por mais que eu queira me fazer me sentir mal às vezes dizendo que 27 anos já é muito velha, 27 ainda não é tanto assim. Então, por enquanto, nesses meus 27 anos de vida, eu só tive um acontecimento que mudou a minha vida 180 graus. Um só. Com nome e sobrenome (sobrenome grande ainda, mas que não vem ao caso): DANIEL.

Daniel apareceu pra mim quando eu tinha 23 anos. Na noite de Natal. Sim, eu sou daquelas meninas tontas, românticas e carentes, então sim, eu achava que Daniel tinha sido um presente de Natal mandado sabe-se lá por quem pra mudar minha vidinha. Um presente que eu tava esperando há 23 anos, precisamente.

E como eu conheci Daniel? Como toda menina tonta, romântica e carente encontra seu príncipe encantando nesses nossos tempos modernos: Orkut!

Eu tava numa fase horrorosa de pegação, e pra mim quanto mais meios de conhecer meninos e pegá-los, melhor. Então não só eu pegava no mínimo 3 meninos que eu conhecia na balada, como eu também marcava encontro com meninos que eu buscava aleatoriamente no Orkut. Sim, o Orkut era para mim a melhor lista telefônica do mundo, pois eu já tinha o nome, o contato e a foto da pessoa! Nada de encontro às cegas! Olha que maravilha! Lógico que tinha certas surpresas mesmo com todas essas informações (a surpresa mais constante era sempre a altura do menininho - eu tenho 1m80, não é fácil encontrar meninos mais altos que eu na balada, achei que os meninos altos estavam se escondendo e que iria achá-los na Internet. Mero engano. Mas foi graças a algumas dessas surpresas que hoje sei que todo homem que fala que tem 1m80 tá mentindo, tem entre 1m75 a 1m78, e todo menino que diz que tem 1m85, tem 1m82, 1m83 no máximo. Fica a dica.). Tá! Mas essas surpresas não eram tão decepcionantes assim. Quem nunca pegou um menino mais baixo que atire a primeira pedra - promoção válida apenas para meninas com mais de 1m70. Se você é mais baixa que 1m70 e já pegou mais baixo, não vou nem entrar nesses méritos com você, mas pega essa pedra aí e joga em você mesma. Vergonha! - Então se aparecia um baixinho, mas bonitinho, por que não, não é mesmo? Mal não vai fazer e já que eu já tinha me arrumado e saído de casa, ai que preguiça, então fica logo com ele, né? Tadinho, além de ser baixinho veio até aqui e não ganha nada com isso? (Preciso dizer também que sou uma pessoa que nessas situações sou péssima pra dizer "Não", então... Fica mais fácil compreender com essa informação algumas das minhas ações e o que quer que eu venha a contar mais pra frente também).

Mas voltando ao assunto principal, Daniel. Quando a plaquinha do Daniel pulou no MSN avisando que ele tinha entrado, foi aí que eu, a boba, achei que toda a minha busca online tinha acabado. Todos os meninos que já tinha encontrado na verdade só tinha sido úteis para me prepararem para esse menino. Esse era o menininho que eu tinha pedido. Mas eu não vou mentir aqui e falar que eu sabia, desde o segundo que a plaquinha dele deu aquele pulinho, que eu sabia que minha vida tinha mudado. Não! Também não foi assim, né? Não foi igual em filme de Hollywood que a mocinha já sabe no momento exato o que está pra acontecer e o coração já começa a bater mais forte e tals. Não. Ridículo. Isso não existe. Pra mim não foi imediatamente não. Demorou. Demoroooou! Acho que eu fui perceber isso depois de uns... o que? 15 minutos. É. Foram 15 minutos. Parece pouco, mas nesses 15 minutos eu já tinha contado quase toda a minha vida pra ele e ele a dele pra mim. Pelo menos é o que parecia. Provavelmente se eu tivesse um log com a nossa primeira conversa, eu veria que na verdade a gente não contou tanto assim sobre si mesmo. Mas pra mim parecia que a gente se conhecia há séculos. Ele era o meu best e eu era a best dele. E nessas primeiras horas de conversa, eu posso não ter um log, mas eu lembro muito bem que uma das coisas discutidas foi o nosso casamento. Sim, a gente ia casar. E segundo ele, aconteceria no dia seguinte, ao meio-dia, quando ele fosse me buscar dentro de um avião que sabe-se lá Deus que rumo a nossa conversa tinha tomado, mas eu estaria num vôo ao meio-dia e ele ia aparecer por lá e me tirar para gente poder casar.

Homens têm que saber uma coisa: não brinca com isso. Não é legal. Porque você nunca sabe se a menina é uma tonta, romântica e carente que vai se apaixonar só por você ter brincado sobre isso. Não é legal menino cruel assim. Não é legal. Porque no fim dessa conversa, a minha vida tinha mudado mesmo, pois eu achava que ele era ELE. Tadinha de mim.





To Be Continued...