quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ALMA GÊMEA

"O amor das almas gêmeas é um amor genuíno, a pessoa ama a outra exatamente como ela é e de forma alguma procura modelá-la segundo sua própria imagem ou de acordo com o que gostaria de encontrar em alguém. Ela apenas tenta auxiliar a sua outra metade a alcançar o que há de melhor e mais elevado em sua personalidade. O relacionamento de almas gêmeas não mantém registros dos erros que acontecem, dá sempre o primeiro passo para a reconciliação rápida, mesmo não tendo certeza de qual resposta irá obter. A alma gêmea é generosa e não se importa em dar mais do que recebe."



São 3 horas da manhã.Fiquei mais de uma hora me revirando na cama, sem conseguir dormir (de praxe) e chorando (quase que de praxe). Por mais que eu esteja numa crise existencial do caramba, dessa vez estou chorando por saudades.Mas não saudades de macho (como diria o Gustavo), e sim, saudades da minha alma gêmea.E não, minha alma gêmea não foi alguém com quem fiquei, tive um breve casinho ou por quem fui apaixonada e nunca correspondida. Sim, acredito que todos temos uma alma gêmea. E a minha é (ou foi?) meu irmão.
Meu irmão entrou na minha vida no final de 2004, quando ele começou a namorar a minha irmã. Muita gente se confunde quando começo a contar essa história, já que ele não é meu irmão de sangue, ele se tornou porque não tinha como não se tornar. Tirando "irmão" e "alma gêmea", eu nunca consegui definí-lo em outras palavras.
Lembro exatamente da primeira vez que eu vi ele. Minha irmã nunca tinha namorado na vida, e como eu também sou solteirona de carteirinha (não por opção), não sabia como namorados deveriam se portar quando fossem apresentados para a família. Mas a primeira vez que eu vi o João ele não estava sendo apresentado a ninguém, ele tinha ido em casa pedir a permissão da minha mãe para namorar a minha irmã. Tudo isso usando uma camiseta azul do McDia Feliz.Por mais que o resto da vida dele eu tenha passado zuando esse dia, eu acho que foi aí que eu percebi que ele não era só mais um macho. Ele, por mais antiguado e breguinha que tenha sido na atitude e na escolha da roupa do dia, provou, com aquilo, que ele não era só mais um. Ele era uma pessoa com valores. Valores bons. Valores raros.
Como ele não era de Piracicaba, ele frequentava nossa casa e durmia por lá só nos finais de semana. E não demorou muitos deles para a gente se conectar. Foi quase que instântaneo. E foi uma coisa estranha, por mais que tenha sido quase que de imediato, não sei dizer ao certo o que fez a gente se identificar tanto e em qual momento exato.
A família, com a adição do João, era maravilhosa. Minha irmã tinha passado uns anos turbulentos na faculdade e tinha se afastado drasticamente da gente. Quando ela adicionou o João a família, a gente sentiu que ela também foi re-adicionada. Mais um motivo por todos os Paes de Almeida terem se apaixonado tão facilmente pelo João.
Porém, em 2006, meio que no meio do ano, eu recebi uma ligação da minha mãe tarde da noite de um domingo. Eu tinha acabado de chegar em São Paulo depois de ter passado o fim de semana em Piracicaba, como de rotina. Minha mãe disse que tinha uma coisa para me contar, mas que não era para eu ficar brava com a minha irmã. Ela me fez prometer que eu não ficaria brava. Conhecendo a minha irmã, eu disse que não ia prometer nada, para ela contar logo o que tinha acontecido. E então ela disse que naquele domingo, antes de o João ir embora para Limeira, minha irmã tinha terminado com ele.O QUE??? ELA É IDIOTA??? COMO ELA TERMINA COM O JOÃO??? ELA ACHA QUE ELA VAI CONSEGUIR ALGUÉM MELHOR DO QUE ELE??? PORQUE ELA NÃO VAI! NEM O JOÃO ELA MERECIA!!!Sim, eu aos berros e aos prantos brigando com a minha mãe por uma atitude babaca da minha irmã.Os motivos dela não importavam para mim. E daí que ela terminou porque ela já não gostava mais dele? E como ela não gostava mais dele? Era impossível! E como assim já tinha um tempo que ela tava com ele só porque ela sentia que a família amava ele demais e por isso ela não tinha coragem de terminar antes? Problema é dela! A culpa é dela por ter achado a melhor pessoa do mundo e ter trazido ele para nossa família. Lógico que todo mundo amava o João, não tinha como não amar o João! Agora, se ela tinha cansado, o problema era dela! Ninguém mandou ter apresentado! Devia de segurar o choro e aguentar. Não queria nem saber!Sim, fiquei sem falar com a minha irmã um tempo depois que soube disso e disse que ela não era mais a minha irmã, porque agora quem era meu irmão era o João e eu queria que ela se fudesse. (Infantil, dramática. Porém era o que sentia. E falaria tudo isso de novo, porque é a mais pura verdade).
Lembro de ter falado com o João assim que soube e lembro da primeira vez que o vi depois do acontecido. Acho que foi uma das coisas mais difíceis que tive que presenciar na minha vida. Ver a melhor pessoa que você já conheceu sofrendo, e se segurando para não mostrar tanto, porque uma idiota que nunca mereceu ele em primeiro lugar, tinha acabado com as esperanças que ele tinha de ter um relacionamento com alguém. João nunca teve uma auto-estima muito alta (uma das várias coincidências nossas), e eu me lembro dele me contando, na Bela Paulista, que achava que nunca mais ia encontrar ninguém que fosse amar ele.Gente. Como doeu ouvir a dor dele. Disse que era impossível alguém não amar ele de novo, que essa possibilidade não existia, que ele era a melhor pessoa do mundo e que a minha irmã não o merecia, mas quem merecia um dia ia aparecer... Blá, blá, blá... Eu não podia fazer nada para ajudar, a não ser oferecer palavras. E sabia muito bem que palavras não servem de nada numa situação dessa (isso aconteceu beeeem próximo dos acontecimentos pós encontro com Daniel, descritos muito claramente em posts anteriores aqui).Jurei, naquele momento, para ele, todo frágil na minha frente, que eu ia amá-lo pro resto da minha vida e jamais iria cortar contato. Que não importava como ele tinha entrado na minha vida, se dependesse de mim e se ele quisesse, ele faria parte dela pro resto da vida dele.
E a promessa foi sendo cumprida. Anos se passaram e algo que eu achava que não tinha como acontecer, foi acontecendo: a gente foi se tornando cada vez mais forte, cada vez mais alma gêmea.Quando fui embora para Nova York em 2008, acho que ele foi a pessoa mais difícil de me despedir: segunda vez que eu via ele chorando na minha frente, e mais uma vez que eu não podia fazer nada a respeito. Chorei durante minha viagem toda de Limeira para Piracicaba.Mas mesmo eu tendo ficado em Nova York por 2 anos, a gente se falava direto: Skype, MSN, E-Mail, Orkut.E lembro que a primeira vez que voltei de férias pro Brasil, ele foi o único que chorei quando reencontrei.
Era uma relação tão gostosa, tão leve... Relação família mesmo. Que você não se sente obrigado a amar, não se sente obrigado a telefonar, não se sente obrigado a manter contato. Você faz tudo isso por instinto, inconscientemente. Porque faz parte de ti. Porque não sabe não o fazer.
Mas como minha vida é cheia de regras, essa parte não podia fugir a ela: tudo o que tenho de bom, tudo o que mais prezo, chega logo o dia em que acaba.
Quando voltei de Nova York pro Brasil para passar as férias de fim de ano de 2009/2010, João estava de rolinho com uma menina. Até aí tudo bem. Tava até feliz por ele, porque finalmente alguém poderia provar, além das minhas palavras, que ele estava errado quando dizia que ele nunca mais ia conseguir fazer alguém se apaixonar por ele.No final dessa minha viagem, pedi para que ele me levasse ao aeroporto junto com a minha mãe, para ela não ter que viajar sozinha de noite. Ele nem pensou, disse que lógico. Normal. Família.
Quando cheguei em Nova York, alguns dias depois, recebi um e-mail que entrou para lista das piores notícias da minha vida: a namorada dele não queria que ele tivesse mais contato comigo.
(Gostaria de fazer um adendo, caso isso não seja claro para alguém: tudo o que for descrito daqui para frente foi o que ME foi passado. Foram as informações que EU recebi, que chegaram até a MIM. São as MINHAS interpretações do ocorrido. O blog é MEU, então eu escrevo o que EU sinto e pelo o que EU passo e como EU vejo as coisas. Obrigada.)
Aparentemente, no momento que ele avisou que estava me levando ao aeroporto, ela aceitou numa boa. Mas quando ele voltou para Limeira naquele mesmo dia, ela teve um ataquezinho besta de ciúmes, dizendo que ele tinha trocado passar o domingo com ela pra me levar pro aeroporto. Ela estava entendendo nosso relacionamento como um amoroso, e não como um de família, um de amizade. Argumentou que se entrassem no Orkut do João e vissem os scraps e depoimentos que eu deixava pra ele e que ele deixava para mim, e os que ela deixava para ele e os que ele deixava para ela, não tinham como saber quem era a namorada em questão.
O QUE??? COMO ASSIM??? Muitas das coisas que eu escrevia, tinha a palavra "irmão" bombando lá!!! E outra: o que importa o que os outros achem ou deixem de achar? Vamos cada um tomar conta da sua própria vida? Ela e o João sabem quem é o casal na história, isso devia de ser o suficiente. Mas nãããããão!!! Então qual foi o próximo passo que ela "sugeriu" que ele fizesse? Apagasse todos os scraps e todos os depoimentos que ele tinha me deixado e que eu tinha deixado para ele. Bom saber que meu irmão estava num relacionamento com uma menina que, apesar de ser mais velha do que ele, vivia na 3a série primária.
Depois disso, não tinha como nosso relacionamento não ser cortado de vez. Ele não queria que mandasse scraps, mas disse que se eu quisesse mandar e-mails, para eu ficar a vontade.Me desculpa, eu prefiro dar uma pausa no relacionamento do que omitir ter um. Ainda mais um que não tem motivo, razão ou circunstância para ser omitido!!!
Por mais que eu tivesse chorado quando eu vi que ele apagou tudo do Orkut, por mais que seja triste não ter mais as palavras dele lá, por mais que eu não escreva mais para ele, por mais que a saudades seja enorme, não é isso que me machuca exatamente.E o que me machuca também não é saber que o meu relacionamento com ele teve de ser cortado por causa de uma namorada ciumenta, ridícula, e sem embasamento algum para um atitude tão infantil e que julgou não só a mim, mas ao João e ao nosso relacionamento, sem nunca ter olhado na minha cara. Eu tenho na verdade é pena de uma pessoa tão insegura que confia tão pouco em si mesma a ponto de sentir ciúmes da única pessoa que não precisa sentir.
Mas voltando...O que me deixa triste de verdade são duas coisas:
1.) O pouco que acompanho do Orkut dele, vejo que ele está se tornando uma pessoa que ele nunca foi e uma pessoa que ele sempre me disse que não gostava. Ele tem umas comunidades de bêbados, uns scraps que falam que ele tava bebasso no dia tal, que isso aconteceu e aquilo aconteceu, uns programas nada a ver. E eu percebo que ele não é a mesma pessoa que eu conhecia. Tinha coisas que ele era mais certinho do que eu. Percebo que ele tá mudando. E para pior (ao meu ver). E não sou só eu que digo. E dói saber que dessa vez eu não posso ajudar com nada, nem com palavras bestas. Isso dói demais.
2.) A segunda coisa, e a mais dolorida de todas, e o motivo pelo qual choro hoje de noite e por todas as outras vezes que já chorei por esse assunto, é sentir que o relacionamento que a gente teve era mais forte do meu lado do que do dele. É perceber que ele não está fazendo por mim algo que eu faria por ele sem nem pensar, sem nem ter sido pedido. Perceber que ele não defende o nosso relacionamento com força o suficiente, sendo que se o caso fosse invertido, eu estaria usando a armadura mais forte para lutar contra tudo e contra todos que quisessem interferir na relação que a gente tinha. Porque, para mim, ela era sagrada. E com isso não se mexe. Nem se ousa mexer. Devastador é perceber que uma relação em que nós dois trocamos tempo, energia, amor, e que parecia eterna, está no modo 'pause' porque ele não quis lutar por ela. Que ele foi obrigado, por qualquer que tenha sido o motivo e a pessoa besta que o obrigou a tal, a escolher um dos dois relacionamentos. E o que me mata é saber que, mesmo sendo família, mesmo eu achando que nosso relacionamento não tinha como competir com outro por ser de outra natureza... Mesmo assim, dentre as duas opções que lhe deram, eu não fui a escolhida.

Mas o engraçado é que, quando eu reflito sobre tudo isso e sobre um possível futuro, apesar de tudo isso, apesar da dor que isso me causa, eu realmente sinto que se ele quisesse voltar a nossa amizade, eu estaria disposta a deixar tudo isso que passou de lado. Não acredito que seria só desapertar a tecla 'pause' e tudo continuaria como era antes. Acredito que ele teria que ganhar a minha confiança de volta, que teríamos muitas coisas para atualizar, que não seria um processo breve, que nem tudo estaria as mil maravilhas como era antes. Mas a gente já passou por esse processo uma vez, não tem porque e não tem segredo passar por ele de novo. Ainda mais sabendo que o resultado seria o bom e velho relacionamento irmã-irmão que tínhamos.E eu com certeza me doaria 100% para ter essa relação de volta.Porque eu tenho a certeza que ele é a minha alma gêmea. E alma gêmea, a gente só tem uma.

"O relacionamento das almas gêmeas não mantém registro de erros, nem mantém arquivos de mágoas. Ele baseia-se na fé, e não no medo.O primeiro passo é ver as pessoas como elas são e não como você gostaria que elas fossem. Aceite as pessoas sem preconceitos. O amor que discrimina é conhecido como amor individual e não universal.O amor de almas gêmeas é inesgotável, não diminui à medida que o relacionamento continua, aumenta cada vez mais. Não existe namorado, amante ou amado, que os separem. Muito menos divisões, desuniões ou desilusões.O amor das almas gêmeas subsiste em outros planos e em outras vidas.É eterno."