Ultimamente tenho pensado muito na atual situação da minha vida e caiu de o último livro que comprei e resolvi ler dizer mais ou menos o que penso sobre a situação pela qual me encontro (acho mágico coisas desse tipo, quando parece que foi o livro que escolheu a gente, e não o contrário).
Como essas passagens dizem exatamente o que eu sinto, vou apenas copiá-las, já que, com certeza, a autora (Carolina Aguirre) se expressa bem melhor do que eu.
"Nenhuma pessoa normal ou comum. Para esses eu sou sempre a outra, a amiga, a que é abandonada quando eles voltam para a ex-namorada, aquela que eles veem aos domingos à tarde, a tapa-buraco, a que se faz de enfermeira quando alguém lhes destrói o coração, a segunda, o romance de verão. Mas nunca sou o amor da vida deles. Nunca.
Eu não sou feia, não sou burra, não tenho nenhum defeito incorrigível. Apenas sou neurótica e insegura. Mas, por alguma razão, termino sempre apaixonada por algum infeliz que me trata mal ou por alguém que não pode nem com a própria vida.
(...)
Eu sei que a minha solteirice tem mais a ver com os meus problemas do que com os problemas dos homens. Sei que escolho homens que não podem gostar de mim ou que não estão disponíveis porque, no fundo, algo que me assusta muito é terminar como as minhas amigas: achando que é verdade que o marido dorme no escritório porque é muito tarde para voltar para casa.
Então, antes de estar nessa situação (casada com um cara que ferra a minha vida enquanto eu troco fraldas e limpo a casa), antes de ter que escolher entre me divorciar e me fazer de idiota, antes que me machuquem, antes que me desiludam, detonem a minha escassa juventude e me deixem amargurada para o resto da vida, escolho todos aqueles que não querem nem podem ter um relacionamento comigo. Dessa forma, me sinto cômoda e protegida nesse limbo de solteirice. Não sou feliz, é verdade. Mas, pelo menos, ninguém me machuca de verdade."