segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

2010


"Sometimes, the only way to move forward is to stop moving, to stay still, and to realize that, no matter what happens, no matter how much it hurts, you're exactly where you need to be."

2010 foi-se. E eu aqui, sentada em um hotel em Madrid.
Nunca, na minha vida inteira, imaginei que estaria aqui, nem hoje nem nunca. Mas isso só veio para complementar o ano mais esquisito da minha vida.
Não entendam mal, é um esquisito bom.
MUITA coisa aconteceu. E quando digo MUITA, pode adicionar mais uns 54 MUITAS nessa sua idéia de muita. Uma mais inesperada que a outra.
Comecei 2010 chegando no Brasil com 5 malas, porque tinha resolvido que, em maio, quando meu visto de trabalho americano terminasse, eu ia voltar pra casa. Já estava levando uma grande parte da minha mudança comigo naquela vez. Ia voltar porque percebi que, em NYC, eu não tinha amigos, eu não tinha colegas, eu não tinha família, eu não tinha vida pessoal, eu não tinha ninguém que me conhecesse há mais de 2 anos, ninguém que me conhecesse antes de eu ser a pessoa que me tornei quando botei o pé pra morar em NYC. Eu tinha trabalho. E só isso não estava me satisfazendo.
Por mais que eu seja uma pessoa que se sente muito bem estando sozinha, andando na rua sozinha, comendo sozinha, indo ao cinema sozinha, ter uma vida com relacionamentos, de qualquer natureza que seja, sempre me foi importante. Sempre senti a necessidade de ter pessoas que, se eu quiser, posso ligar e a gente sai nem que seja para jantar. Queria contato, queria carinho, queria poder ter alguém comigo que me conhecesse há mais tempo que eu conhecia NYC. E isso, lá eu não tinha.
No finalzinho de janeiro, eu fugi do carnaval e voltei para NYC, mais para terminar de colocar a minha mudança definitiva em ordem. E nesse meio tempo que tinha até maio, eu aproveitei NYC mais do que tinha aproveitado todos os outros meses que morei lá. Tudo o que me faltava ver, comer, comprar, olhar, sentir, tudo foi feito. Na verdade, aproveitei pra ver não só o que me faltava ver em NYC, mas sim, nos Estados Unidos, já que fui pra São Francisco e L.A. também em março desse ano.
E logo depois que voltei da viagem a costa oeste, uma pessoinha muito especial entrou na minha vida sem querer querendo: Maria Paola de Salvo.
Paola e eu tínhamos um amigo em comum e ela precisava de uma ajuda em NYC porque ia estudar lá por um mês (abril) e o nosso amigo em comum me “apresentou” a ela.
Paola foi um anjo enviado diretamente do céu. Eu queria companhia, eu queria amizade, eu queria alguém com quem aproveitar meu último mês em NYC. E ela foi a pessoa perfeita. Até hoje acho que se eu tivesse tido a Paola comigo antes e por mais tempo, talvez não tivesse desistido de NYC tão fácil. Mas a vida sabe o que faz, não é mesmo?
Voltei dia 31 de abril pro Brasil com minhas 7 malas finais.
Mas tudo o que eu sentia saudades e todos os motivos pelo qual tinha resolvido voltar, já tinham perdido a graça com uma semana; já tinha me arrependido de ter voltado.
Era impossível arranjar trabalho no Brasil, todos eram péssimos, e/ou pagavam mal, e/ou era algo completamente fora do que eu queria e/ou do que sabia fazer.
Com 1 mês no Brasil, caí numa depressão horrorosa, achando que jamais conseguiria trabalho, que não devia ter voltado, que se fosse pra ficar sem trabalhar, que tivesse sido em NYC, pelo menos lá eu tinha tudo o que queria, São Paulo era uma merda, etc... Crise existencial total. Tanto que cheguei até a pesquisar algumas aulas de culinária, porque estava decidida que se demorasse muito pra algo acontecer na minha área, eu viraria chef de cozinha.
Sim, momentos difíceis e esquisitos.
Mas em julho algo aconteceu para me animar. Por uma indicação de uma ex-chefe minha, fui apresentada ao filho dela, que era diretor. Acabou que peguei um emprego de Assistente de Direção na produtora que ele trabalhava. O trabalho, que era pra ter durado 3 semanas, acabou durando até outubro! Achei que aquilo não ia ter fim nunca, no meio do projeto comecei a ficar nervosa, queria algo mais, queria outro emprego, não queria mais ficar naquilo que parecia não ir para frente, não tinha fim aquilo! Queria gritar e sair correndo. Mas fiquei quietinha, engoli o choro e fui adiante.
E não é que acabou o projeto? E melhor do que ter terminado esse projeto, foi o próximo que veio imediatamente em seguida.
Produzir pro Comedians.


2 comentários:

Rafael Prado disse...

Parabéns Fernanda!

Gustavo disse...

Entrei achando que ia ler sobre D1 e acabei lendo sobre D2 hahahahaha