domingo, 7 de março de 2010

DÚVIDAS

Daniel sempre me deixou encucada com uma coisa: será que ele realmente estava curtindo o que quer que seja o que estávamos tendo ou será que ele estava brincando o tempo todo pra ver no que dava essa brincadeira?

Como pessoas podem estar duvidando de que ele tenha sido tão bonitinho e fofo do jeito que falo, e às vezes porque como eu estava apaixonada eu podia achar que ele estava sendo mais fofo do que na verdade ele estava sendo (gente apaixonada geralmente não vê as coisas direito, né?), aqui embaixo colo um scrap que ele me mandou dia 07/01/06, 2 dias antes de ele ir pros EUA visitar o amigo dele:

Daniel
são 6:40 e eu liguei o pc unica e exclusivamente pra te deixar scrap...ia ate mandar msg mas podia te acordar...
q bizarro....senti falta nao falar ctg no msn hoje direito
tava aki pensando...sabe q horas são???


Agora, isso ele me mandou no dia 07/01/06, ou seja, apenas 13 dias desde a nossa primeira conversa. Nem 2 semanas tinham sido completadas.
Eu estava louca? Ele não era tão fofo igual eu achava que ele era? E ele estava mentindo? Porque, meu, eu fico pensando... se ele só estava brincando, ele é um puta de um jogador e ator. Parabéns pra ele! Agora, se ele estava falando sério, por que acabou do jeito que acabou? Foi muito do nada e a desculpa que ele deu (logo mais chegaremos a ela) foi muito fraca para ter sido o suficiente.

Eu sei que eu nunca vou ter a resposta dessas perguntas. Então, vamos voltar aos acontecimentos para ver se alguém me ajuda a supor a resposta.

Depois do beijo cinematográfico no aeroporto, pegamos um táxi rumo à Niterói. Não me pergunte o caminho Galeão-Niterói nem quanto tempo demora. Para mim, o mundo tinha parado e eu não estava mais ligando pra paisagem ao fundo da figura de Daniel. Brega? Sim, muuuuito brega. Mas eu JURO q eu nunca senti nada por um menino igual o que estava sentindo naquele exato momento.

Daniel não foi só o meu primeiro primeiro. Daniel foi meu primeiro em muitas coisas: no auge dos meus 23 anos, ele foi minha primeira paixão adolescente, minha primeira loucura, meu primeiro beijo apaixonado, meu primeiro "o certo", meu primeiro "meu coração saiu pela boca quando eu vi ele", meu primeiro príncipe encantado, meu primeiro "eu largo a minha vida inteira pra trás se ele pedir pra casar comigo", minha primeira esperança... E posso dizer que mesmo já tendo passado 4 anos, ele continua sendo o primeiro E único em muitas dessas coisas.

A gente chegou no apartamento dele e a irmã dele estava lá. Já tinha lançado uma amizade sem fim com a irmã dele na época que ele foi pros EUA. Como ele tinha que dividir o computador com a irmã, quando ele foi pros EUA ela entrava mais e daí acabou que a gente começou a conversar e quando conheci ela, a gente já estava praticamente best. Tanto que na época que Dan estava nos EUA, ela me contou uma coisa que até hoje eu não sei se Daniel sabe que ela me contou ou não: ela me mandou um print screen do desktop do computador deles. No print screen você via que o papel de parede era dessa foto AQUI. (Coisas como essa que me fazem pensar que talvez ele não estivesse brincando comigo, senão daí até a irmã teria que fazer parte dessa brincadeira. Será que ele seria tão mau assim? A gente não pode botar a mão no fogo por ninguém nessa vida, né?).
Bom, cheguei na casa dele, a gente foi pro quarto dele, nada aconteceu demais lá, é lógico, a irmã dele estava no quarto do lado, pelamor de Deus. Mas eu pedi pra ele ver uns hotéis por ali que fossem meio em conta pra eu ficar naquela sexta, no sábado e sair no domingo. Pedimos ajuda pra um outro amigo dele, o João, que também tinha virado meu best pela internet. Depois que a gente achou um lugar pra eu ficar, eu também queria muito conhecer João, meu best, então fomos encontrá-lo pra almoçarmos, lá perto do trabalho dele. Foi a primeira vez que eu comi em um Spoletto de rua! Spoletto de rua é uma coisa mágica pra quem é de São Paulo. Hoje existe um só que eu saiba, perto da Paulista. Mas naquela época, era a maior novidade do mundo! Não sei porque eu achei fantástico aquilo! Tudo bem que naquele dia eu estava achando até moeda de 5 centavos fantástica, mas...
João também era muito legal. Mas eu queria ir pro hotel com Daniel por motivos óbvios. Por mais que João fosse mais legal que o monstro, vamos combinar que eu não estava ali para ver ele.

João nos deu carona até a casa de Daniel. Peguei minha malinha e fomos pro hotel.

Eu sei que sou muito detalhista quando eu quero e quando o acontecimento me é importante, mas me desculpa, eu não me lembro muito do que aconteceu entre esse momento do check-in até o momento em que o ato teve início. Acho que porque não importa o que aconteceu desde o check-in até o momento que esperou tantos anos para acontecer. O que importa é que aconteceu. Quando eu entrei no quarto e Daniel fechou a porta do quarto...
Tudo parecia um sonho? Sim.
Eu estava certa de que queria que aquilo acontecesse? Sim.
Mesmo certa, eu estava com medo? Sim.
Eu ia dar pra trás? JAMAIS!

Quando a gente foi para a cama, foi que todo o medo e a insegurança que eu estava sentindo desapareceram.
Por mais que eu sonhasse com isso, eu jamais pensei, talvez porque tenha demorado mais do que o esperado, que a minha primeira vez fosse ser com uma pessoa que eu tivesse gostando tanto.
Eu não sabia o que podia acontecer uma vez que ele entrasse dentro de mim, vai que dentro de mim eu tinha um botãozinho que desse choque no pipi do coitado do menino? Vai saber! Então eu me separei do nosso beijo segundos antes e disse: "Ninguém nunca entrou aí."
Ele me olhou com a cara mais assustada que já vi: "Como assim?"
E eu repeti: "Ninguém nunca entrou aí."
E ele, com um sorrisinho: "Você tá brincando."
E eu, séria: "Não."
Ele me olhou sério, devia de estar procurando algo que desmentisse o que eu estava dizendo. Como não achou nada, percebeu que eu não estava mentindo e me beijou. Eu não sei se enquanto ele me beijava ele estava pensando no que devia fazer, se devia continuar ou não, só sei que demorou um tempinho quando ele se separou do beijo e disse: "Se doer, me fala. Eu páro na mesma hora."

Não tem como eu dizer que não foi estranho, a sensação não é normal. Mas doer não doeu. Se doeu, eu nem percebi. Eu estava tão nervosa, que os nervos estavam superando qualquer outra coisa.
Eu não sabia o que fazer, estava morrendo de vergonha, não sabia se o que eu estava fazendo era certo, eu estava completamente desentendida. Era para eu ficar por cima? Era pra ele ficar por cima? Era pra eu fazer algum barulho? Era pra eu não fazer nenhum barulho? Mas quando eu lembrava que era o Daniel o menino, eu perdia um pouco da vergonha, tudo melhorava.
Quando terminou, a gente ficou abraçado. Daniel também foi o primeiro menino que eu fiquei abraçada na cama. Só abraçada, um olhando pro outro.
Ele queria saber porque eu nunca tinha dito nada. Eu disse que pra mim não fazia diferença. E que eu tinha medo que caso ele soubesse que ia ser meu primeiro, ficasse com medo e não quisesse me conhecer mais. E que pra mim não importava o que acontecesse, eu tinha escolhido ele pra ser o meu primeiro e eu não queria que nada mudasse isso.

Quando ele foi tomar banho, eu fiquei pensando. Eu tinha sido muito egoísta. Eu quis que ele fosse meu primeiro e assim foi. Eu nunca perguntei se ele queria ser o meu primeiro. E foi exatamente por isso que eu nunca contei esse pequeno detalhe até o momento em que não tinha mais escapatória pra ele. Eu queria tanto que ele fosse o meu primeiro que eu não podia correr o risco de contar pra ele e, por qualquer motivo que seja, ele dizer que não, ele não ia fazer aquilo. Ele ia ser meu primeiro e pronto, acabou.

Quando ele voltou do banho, ele deitou comigo na cama. A primeira coisa que ele disse quando voltou foi: "Eu não tinha acreditado em você até agora que eu fui tomar banho e vi que tinha sangue na minha cueca."
Eu fiquei morrendo de vergonha, queria me esconder debaixo daquele colchão e não sair nunca mais. Pedi desculpas, mas ele deu uma risadinha e me beijou.

A gente ficou acordado por um tempo ainda. Pedimos lanche numa lanchonete que ele adorava e que entregava. Aliás, isso também foi novidade pra mim: não sabia que hotéis deixavam você pedir comida de outro lugar pra entregar lá! Sucesso!

Comemos, conversamos, demos risada, assistimos TV, coisas que qualquer casal comum faz. E dormimos juntos. Ele também foi o primeiro homem com o qual dividi minhas horas de sono. A primeira vez que eu acordei e encontrei um homem dormindo ao meu lado. Primeira vez que eu me lembro ter acordado realmente feliz. Tudo tão perfeitinho!

Nunca me passou pela cabeça que em algumas horas eu estaria chorando de tristeza naquele mesmo lugar.




To Be Continued...

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